Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : economia

Salário mínimo um pouco melhor igual a menos gravidez na adolescência
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Jairo Bouer

Um estudo feito nos Estados Unidos mostra a influência do salário mínimo na taxa de gravidez na adolescência. Segundo pesquisadores da Universidade de Indiana, um aumento de apenas 1 dólar (cerca de 3,1 reais) poderia causar uma redução de cerca de 2%, o que representaria 5.000 nascimentos a menos por ano.

Muitas pesquisas analisam o impacto do aumento do salário mínimo para a economia, mas são poucos os que avaliam como isso repercute na saúde pública. Apesar de ter sido feito nos EUA, não há por que achar que uma renda melhor não teria consequência semelhante no Brasil.

De acordo com os pesquisadores, com salários melhores, as adolescentes têm uma razão a mais para continuar trabalhando e adiar a maternidade. Se apenas 1 dólar faria uma diferença dessas, imagine um aumento significativo?

O salário mínimo na maioria dos Estados norte-americanos é de 7,25 dólares a hora (pouco mais de 22 reais), e os EUA são o país com maior número de adolescentes que engravidam entre as nações desenvolvidas.

Outros estudos já mostraram que uma renda melhor interfere positivamente nos índices de massa corporal (IMC), diminui as taxas de abuso infantil e aumenta a longevidade dos trabalhadores. O atual foi publicado no American Journal of Public Health.


Estresse financeiro pode fazer as pessoas sentirem mais dor
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Jairo Bouer

lombalgia615

Pessoas que percebem sua vida financeira como instável podem sentir mais dor física do que aqueles com mais segurança nesse aspecto da vida, mostra uma pesquisa publicada na revista Psychological Science.

O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade de Virginia e de Columbia, liderados por Eileen Chou, que avaliaram diversos estudos sobre o tema. Eles perceberam que as preocupações com a vida financeira foram proporcionais às queixas de dores físicas e aumento do consumo de analgésicos de venda livre.

Os testes envolveram um total de 33.700 indivíduos. Nas famílias em que tanto o homem quanto a mulher estavam desempregados o consumo de analgésicos foi 20% superior em relação aos lares em que pelo menos um adulto trabalhava.

Em um dos estudos, participantes que relatavam viver um período de instabilidade econômica fizeram o dobro de queixas de dor em relação aos que descreviam a vida financeira como estável.

Em outro, realizado em laboratório, voluntários convidados a pensar em um mercado de trabalho incerto apresentaram menor tolerância à dor e ficaram menos tempo com a mão dentro de um balde de água gelada.

Segundo os autores, a insegurança econômica gera uma sensação de falta de controle sobre a vida, o que ativa processos psicológicos associados a ansiedade, medo e estresse. Esses processos, por sua vez, partilham mecanismos cerebrais semelhantes ao da dor.

Os resultados mostram que trabalhar aspectos psicológicos que levam à insegurança é fundamental para quem sofre de dor crônica.


Instabilidade econômica muda o padrão de consumo de álcool
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Jairo Bouer

alcooltrabalho615

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, avaliou o impacto da recessão de 2007 a 2009 no consumo de álcool da população, e concluiu que crises econômicas fazem as pessoas beberem mais após o trabalho. Por outro lado, o clima de instabilidade também faz com que elas bebam menos durante o turno.

Vários estudos já demonstraram que períodos de recessão exercem forte influência sobre o consumo de bebida alcoólica. Mas a maioria se concentra nos indivíduos que perdem o emprego – eles passam a beber mais por causa do estresse que a situação envolve ou por que têm mais tempo livre. Desta vez, os pesquisadores decidiram verificar o impacto em quem continua na ativa.

O trabalho, publicado no periódico Psychology of Addictive Behaviors, envolveu mais de 5.000 trabalhadores norte-americanos. Apesar do estresse elevado no ambiente de trabalho, quem tinha o costume de beber durante o turno passou a se controlar mais, para não colocar seu emprego em risco. Mas, para compensar, consumia ainda mais álcool ao deixar o posto.

Os resultados indicam que, em relação aos períodos sem crise, mais trabalhadores de meia-idade passaram a beber. Porém, isso não foi observado entre os empregados mais jovens. Para o principal autor, Michael Frone, isso se deve às responsabilidades financeiras e familiares, que costumam ser maiores para os mais maduros.

Beber menos durante a jornada de trabalho não é necessariamente bom para as empresas. A ressaca também afeta a produtividade, e chegar em casa bêbado todos os dias gera problemas familiares que acabam prejudicando, mais cedo ou mais tarde, o desempenho profissional.


Quer emagrecer ou economizar? Não valorize muito cada sacrifício
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Jairo Bouer

BALANCA300Quando estão em dieta, as pessoas costumam achar que abrir mão da sobremesa é uma realização enorme. E até pode ser, mas a conquista não deve ser valorizada demais, de acordo com um estudo publicado no Journal of Consumer Research.

Pesquisadores das universidades do Colorado e Texas A&M, nos EUA, dizem que as pessoas tendem a superestimar progressos e subestimar contratempos ao perseguir determinados objetivos de longo prazo, como emagrecer ou poupar dinheiro para a aposentadoria.

Ao avaliar sete estudos, os autores encontraram evidências desse “viés de progresso”, ou seja, a crença de que o positivo tem mais impacto que o negativo. Isso faz com que as pessoas achem que estão fazendo uma grande coisa, quando na verdade pode não ser bem assim.

Eles dão o seguinte exemplo para deixar o conceito mais claro: quem economiza 100 reais por mês acredita que está perto de cumprir o objetivo de juntar 100 mil reais para uma reforma. Mas, ao gastar 100 reais, a pessoa não acha que se distanciou tanto assim da meta, entendeu?

O mesmo vale para dietas. A pessoa acha que, deixando de tomar refrigerante com açúcar, por exemplo, vai conseguir perder dois quilos no fim do mês. Mas, ao esvaziar uma travessa de brigadeiros na festa, não sente que fez algo tão grave assim para arruinar seu plano.

Para os pesquisadores, esse viés de progresso faz com que as pessoas parem de trabalhar por um objetivo antes da hora. É por isso, também, que muita gente fica decepcionada ao iniciar uma atividade física e não ver diferença nenhuma na balança: por causa dos exercícios, elas se sentem liberadas para comer a mais.


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