Blog do Doutor Jairo Bouer

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Bullying pode levar a doenças crônicas na vida adulta, dizem pesquisadores
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Jairo Bouer

Ser alvo frequente de bullying na infância pode tornar um adulto mais propenso a enfermidades crônicas como diabetes e doenças do coração, alertam pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, em artigo publicado no periódico Harvard Review of Psychiatry.

Diversos estudos já apontaram uma relação clara entre o bullying e transtornos mentais, como depressão, ansiedade e até risco mais alto de suicídio. A equipe, no entanto, acrescenta que é preciso prestar atenção, também, na saúde física de indivíduos que passaram por isso. Muitas crianças apresentam sintomas sem causa aparente, e isso pode até ser um alerta para os pais de que algo não vai bem na escola.

Sofrer intimidações ou ser isolado da turma é uma enorme fonte estresse para a criança. Se acontece uma vez ou outra, as consequências podem ser superadas. Mas quando o problema é frequente, a criança entra em um estado de estresse crônico, como se o organismo estivesse sempre pronto para lutar ou fugir.

O impacto desse estado é cumulativo, de acordo com os pesquisadores, e se traduz em alterações nas respostas inflamatórias, hormonais e metabólicas. Isso é o que tornaria a vítima mais propensa a depressão, diabetes e doenças do coração.

Enfrentar situações difíceis na infância também pode afetar a maneira como o corpo responde a futuros estressores, o que tem enorme impacto na vida de um indivíduo.

Os pesquisadores afirmam que são necessários mais estudos para comprovar esta relação de causa-efeito. Com isso, eles acreditam que será possível desenvolver estratégias para prevenir as consequências de longo prazo do bullying. Enquanto isso não acontece, é importante que os pais e as escolas fiquem atentos ao problema e interfiram quando necessário.


Certos homens também sofrem de depressão pré-natal ou pós-parto
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Jairo Bouer

Homens estressados ou com a saúde debilitada podem ficar deprimidos quando as parceiras ficam grávidas, e os sintomas também podem surgir depois do nascimento do filho. É o que mostra um estudo feito na Nova Zelândia, e publicado no periódico Jama Psychiatry.

Hoje, sabe-se que alguns homens também podem ser vítimas da depressão pré-natal ou pós-parto, condições já bem estudadas nas mulheres.  O objetivo do trabalho atual foi identificar os principais fatores de risco para a depressão paterna.

Pesquisadores da Universidade de Auckland analisaram os sintomas de 3.523 homens na faixa dos 33 anos, que foram entrevistados quando suas parceiras estavam no terceiro trimestre de gravidez e nove meses após a chegada do filho.

Os resultados mostraram que 2,3% dos participantes, ou seja, 82 homens, apresentaram sintomas fortes de depressão durante a gravidez das parceiras, e 4,3% (153) relataram os sintomas depois do nascimento da criança.

Os pesquisadores notaram que o problema foi mais frequente nos homens mais estressados e com saúde mais frágil, de um modo geral. No caso da depressão após o nascimento, os sintomas também foram mais presentes nos pais que estavam desempregados, separados da mãe da criança e que já tinham histórico do transtorno.

Os autores observam que o pai exerce uma influência vital para o desenvolvimento da criança, por isso a depressão também pode ter efeitos diretos ou indiretos nos filhos. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda o quanto antes pode evitar que isso aconteça.


O lado bom da depressão: desistir logo quando é preciso
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“Você tem que tentar, tentar, até conseguir”. Isso é o que a gente aprende desde pequeno, quando tem dificuldade de amarrar o tênis ou andar de bicicleta. Mas, conforme os objetivos ficam mais difíceis, muitas vezes até impossíveis, essa crença, em vez de motivar, pode resultar apenas em raiva e frustração.

Psicólogos alemães decidiram estudar essa espécie de armadilha mental que faz com que muita gente não vá pra frente na vida. E eles descobriram algo curioso: pessoas com depressão tendem a ser mais bem-sucedidas em abandonar metas inalcançáveis do que indivíduos sem o transtorno.

Eles chegaram à conclusão após convidar voluntários com e sem depressão ( 78, ao todo) para resolver anagramas, ou seja, eles recebiam palavras com as letras embaralhadas e tinham que colocá-las na ordem certa dentro de um tempo específico. Os participantes não sabiam, mas alguns dos anagramas não tinham solução.

O resultado foi que os indivíduos deprimidos desistiram mais rápido dos problemas insolúveis, utilizando melhor seu tempo para resolver os outros anagramas.

Para a equipe, da Universidade de Jena, a capacidade de desistir pode ser uma função adaptativa da depressão, já que faz essas pessoas se desapegarem de ambições inalcançáveis para buscar objetivos mais condizentes com sua capacidade. Os resultados foram publicados no Journal of Behavior Therapy.

Claro que a depressão também pode fazer o indivíduo ter uma noção distorcida de sua capacidade, por isso os pesquisadores admitem que é preciso pesquisar melhor o tema. Mas eles também acham que o transtorno poderia ser encarado como uma oportunidade para o desenvolvimento, em vez de apenas um fardo que deve ser removido. É algo pra se pensar.


Crianças fisicamente ativas têm menos depressão, mostra estudo
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Fazer exercícios é uma forma de se proteger da depressão. Vários estudos com jovens e adultos já confirmaram essa hipótese. Agora, ela também pode ser aplicada às crianças.

Pesquisadores da Universidade da Noruega examinaram 800 crianças de 6 anos de idade, e reavaliaram cerca de 700 delas aos 8 e aos 10 anos. O nível de atividade física delas foi mensurado com um dispositivo eletrônico, e os pais delas também foram entrevistados para que a equipe tivesse dados sobre a saúde mental dos meninos e meninas.

As crianças mais ativas fisicamente foram as que apresentaram menos sintomas depressivos, comprovando que, além dos benefícios à saúde física, quem se exercita também protege sua saúde mental.

Mas os pesquisadores avisam que as atividades devem ser moderadas ou vigorosas – têm que deixar as crianças suadas e com a respiração acelerada.

No artigo com os resultados, publicado na revista Pediatrics, os autores observam que, diferente do que é observado em indivíduos de outras faixas etárias, as crianças não necessariamente se tornam sedentárias por causa da depressão.

A mensagem deles, para os pais, é que não basta limitar o tempo de TV e tablet. É preciso colocar a turma para correr, pular, nadar, jogar bola etc.

 


Proteína é ligada a depressão na gravidez e bebês com baixo peso
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Estima-se que uma em sete mulheres tenha depressão durante a gravidez e outras tantas sofrem no pós-parto. O problema não só afeta as mães, como também pode interferir no desenvolvimento do bebê. Pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio descobriram que uma proteína chamada BDNF (sigla em inglês para “fator neurotrófico derivado do cérebro”) tem sua quantidade alterada durante a gestação e pode estar por trás desses sintomas.

Para chegar ao resultado, a equipe avaliou 139 grávidas. Eles perceberam que a proteína diminui bastante do primeiro ao terceiro trimestre, voltando ao aumentar após o parto. O grupo descobriu, ainda, que o BDNF varia bastante de acordo com a origem étnica da mulher, sendo que o nível tende a ser mais alto nas grávidas negras.

Níveis mais baixos da proteína no segundo e terceiro trimestres foram associados a sintomas depressivos nos três últimos meses de gestação. Além disso, mulheres com a redução tiveram tendência maior a ter filhos com baixo peso ao nascer.

Os pesquisadores explicam que antidepressivos ajudam a aumentar os níveis da proteína, mas seu uso não está totalmente livre de riscos ao feto e possíveis efeitos colaterais. As informações foram publicadas no periódico científico Psychoneuroendocrinology.

Outra forma de aumentar os níveis de BDNF, segundo os autores, é praticar atividade física. Por isso, é recomendável que as gestantes não deixem de se movimentar, desde que não haja qualquer contraindicação para isso, é claro. Os exercícios podem melhorar o humor da mulher, evitar ganho de peso e pressão alta, e até beneficiar o desenvolvimento do bebê.


Um game contra a depressão – que tal?
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Pesquisadores financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, afirmam que um videogame pode ajudar pacientes com depressão.

Eles avaliaram os efeitos de um aplicativo para celular ou tablet criado para atuar em nível neurológico e melhorar o foco e a atenção. A tecnologia foi desenvolvida por uma empresa e chama-se Projeto: EVO. Importante ressaltar que os pesquisadores, da Universidade de Washington, não têm qualquer relação com o fabricante.

O experimento contou com adultos com mais de 60 anos, divididos em dois grupos: o primeiro utilizava o videogame, enquanto o segundo foi submetido a um tratamento breve conhecido como terapia de solução de problemas. Ambos passaram por consultas semanais. Muitos participantes nunca tinham utilizado um tablet na vida, e mesmo assim aderiram bem ao aplicativo.

Os resultados, publicados no periódico Depression and Anxiety, mostraram que os usuários do game apresentaram uma melhora expressiva no humor. O curioso é que o aplicativo não foi desenvolvido especificamente para pessoas com depressão – o que acontece é que melhorar funções cognitivas, como foco e atenção, acaba tendo um efeito positivo para quem sofre com o transtorno e está sempre distraído pelo excesso de preocupações.

Um segundo experimento, feito em parceria com pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, contou com mais de 600 indivíduos norte-americanos com depressão leve ou moderada.  As conclusões, publicadas no Journal of Medical Internet  Research, indicam que o game trouxe resultados tão positivos quanto a terapia de solução de problemas e um aplicativo com dicas de saúde, uma espécie de placebo. No entanto, só os dois primeiros tratamentos deram resultados para os pacientes com sintomas mais fortes.

A vantagem do videogame é que ele não demanda consultas semanais com um terapeuta, algo que não é acessível para todos os pacientes. Mas os autores ressaltam que o aplicativo só funciona se houver supervisão, ou a pessoa não se sente motivada para jogar com a frequência necessária.

Vários outros estudos têm sido feitos com o Projeto: EVO para avaliar o efeito em outros tipos de doenças, como alzheimer e lesão cerebral. A empresa também já solicitou liberação do FDA (Food and Drug Administration) para utilização do game em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Ainda faltam resultados para comprovar os benefícios desse tipo de tecnologia, mas toda novidade é bem-vinda para ajudar as pessoas a lidar com transtornos mentais.


Usar múltiplas plataformas de mídia social é ligado a ansiedade e depressão
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Alguns estudos têm chamado atenção para o impacto que as redes sociais podem ter na saúde de quem passa dia e noite mergulhado nelas. Mas parece que o tempo não é o único termômetro para detectar possíveis problemas – a forma de usar também importa. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos diz que quem costuma usar de sete a onze plataformas de mídia social tem um risco três vezes maior de sofrer de ansiedade e depressão do que usuários mais conservadores, que usam no máximo duas.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, e foi publicada no periódico Computers in Human Behavior. Eles afirmam que o risco é significativo a ponto de justificar que médicos e psicólogos orientem pacientes com esses transtornos a evitar o uso de múltiplas pataformas. Mas eles admitem que é difícil saber se é o comportamento que aumenta a ansiedade ou vice-versa.

A equipe avaliou uma amostra de 1.787 adultos norte-americanos de 19 a 32 anos, que passaram por testes para diagnosticar sintomas depressivos e descreveram a forma como usavam plataformas como Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, Google Plus, Pinterest e Linkedln. Os usuários ativos do maior número de sites foram 3,3 vezes mais propensos a apresentar níveis mais altos de ansiedade e depressão, mesmo quando outros fatores de risco foram isolados, como situação financeira e status de relacionamento.

Os autores têm algumas hipóteses para explicar a associação. Alguns estudos já associaram a tendência a fazer várias coisas ao mesmo tempo a prejuízos na memória e aprendizado, o que, segundo eles, poderia ter algum impacto na saúde mental. Outro ponto levantado é que as particularidades de cada plataforma tornam essa migração constante estressante, o que poderia prejudicar o humor. Por último, eles lembram que, quanto maior o número de perfis, maior a exposição caso ocorra alguma situação embaraçosa.


Ficar mal de vez em quando não faz tão mal assim
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Para muitos estudantes, dezembro é o mês do estresse e do mau humor, pois coincide com provas finais. Se esse for o seu caso, anime-se: um estudo sugere que experimentar emoções negativas de vez em quando pode resultar em um melhor desempenho acadêmico. Mas só se for de vez em quando.

O trabalho foi conduzido por psicólogos da Universidade Concórdia, no Canadá, e contou com 187 alunos de primeiro ano de uma grande faculdade, acompanhados durante quatro anos. Aqueles que tinham crises ocasionais apresentaram as melhores notas ao término do curso.

Por outro lado, aqueles que relataram níveis altos de ansiedade e depressão com maior frequência foram os que tiveram as piores notas. Os dados foram publicados no periódico Developmental Psychology.

Para os autores, os resultados demonstram que tanto as emoções positivas quanto as negativas têm seu papel no sucesso. Para quem está bem na maior parte do tempo, os momentos críticos podem até melhorar a motivação. Já se o sofrimento for constante, é fundamental buscar ajuda.


Transtornos mentais e doenças físicas costumam andar juntas
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Certas doenças tendem a ocorrer com mais frequência em crianças e adolescentes com transtornos mentais prévios. Pesquisadores descobriram que, nessa faixa etária, é comum que artrite e doenças do aparelho digestivo apareçam após a depressão, enquanto transtornos de ansiedade tendem a ser seguidos por doenças da pele.

As conclusões fazem parte de um trabalho financiado pela Fundação Nacional de Ciência, da Suíça, que contou com pesquisadores da Universidade da Basileia, e também da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha.

Os resultados, publicados na revista PLoS ONE, foram obtidos a partir de uma amostra representativa de 6.500 jovens dos Estados Unidos, com idades entre 13 e 18 anos.

Assim como um transtorno mental pode preceder uma doença física, o oposto também pode ocorrer. Os pesquisadores verificaram que é comum que o jovem desenvolva um transtorno de ansiedade depois de apresentar problemas cardíacos.

Outra descoberta da equipe é associação entre a epilepsia e o posterior surgimento de transtornos alimentares como a bulimia e a anorexia. Esse fenômeno já tinha sido descrito em relatos isolados, mas agora foi confirmado em um número maior de adolescentes.

Conhecer as doenças que mais costumam andar de mãos dadas pode abrir caminho para abordagens de prevenção e tratamento mais eficazes no futuro.


Estudo mostra uma em cada seis meninas já teve depressão
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A taxa de adolescentes que relatam ter sido diagnosticadas com depressão aumentou 37% em uma década, segundo um levantamento feito nos Estados Unidos, pela Universidade de Johns Hopkins.

A taxa de episódios depressivos em adolescentes era de 8,7%, em 2005, e a proporção subiu para 11,3%, em 2014. Ao levar em conta apenas as meninas, a taxa passou de 13,1% para 17,3%.  Ao se analisar o gráfico, a linha permanece estável até 2011, quando houve um aumento expressivo. Os pesquisadores admitem que houve um leve aumento no número de visitas a especialistas, mas nada que justifique essa elevação.

O estudo analisou dados de 2005 a 2014 em relação à chamada “depressão maior”, que envolve, entre outros sintomas, a perda de interesse ou prazer nas atividades diárias por no mínimo duas semanas. No total, o estudo contou com 176 mil adolescentes, de 12 a 17 anos, e 180 mil jovens adultos, de 18 a 25 anos.

Os resultados, publicados na revista Pediatrics, destaca a necessidade de se dar atenção à saúde mental dos jovens. As taxas de suicídio na adolescência têm aumentado, tanto que um estudo recente mostra que elas já superam a de mortes por acidente de carro na faixa de 10 a 14 anos.