Blog do Doutor Jairo Bouer

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Sexo sem proteção altera equilíbrio das bactérias vaginais, diz estudo
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Jairo Bouer

Fazer sexo sem camisinha prejudica o equilíbrio das bactérias que vivem na vagina, o que deixa as mulheres ainda mais expostas a infecções, descobriram pesquisadores do Centro de Saúde Sexual de Melbourne, na Austrália. As conclusões foram publicadas na revista New Scientist.

Eles analisaram a microbiota vaginal de 52 voluntárias a cada três meses durante um ano. As participantes eram jovens estudantes, com idade média de 19 anos, e muitas ainda não tinham feito sexo com penetração no início do estudo.

As análises mostraram que aquelas que tinham relações sexuais sem camisinha eram mais propensas a ter a prevalência de bactérias da espécie Gardnerella vaginalis e Lactobacillus iners. As que perderam a virgindade também passaram a ter uma microbiota dominada por essas duas cepas, que têm sido associadas à vaginose bacteriana, uma condição pouco compreendida que causa corrimento anormal e cheiro ruim.

Para os pesquisadores, o estudo prova que bactérias não causadoras de coenças também são transmitidas pelo sexo. Então transar sem preservativo é sempre prejudicial à saúde da mulher? Os autores do trabalho acreditam que, depois de um tempo, a microbiota vaginal se adapta às bactérias presentes no pênis de um parceiro de longo prazo. Mas quando entra uma outra pessoa na jogada, a vagina pode gerar uma resposta imunológica contra as novas bactérias, causando inflamação. Isso aumentaria o risco até de doença inflamatória pélvica, uma condição grave que pode levar à infertilidade.

Estima-se que existam cerca de 100 milhões de bactérias por mililitro de secreção vaginal e 10 milhões de bactérias por mililitro de ejaculação. Cada vez que novas cepas entram no sistema, o equilíbrio se altera.

A limitação do estudo é que muita gente mente sobre sexo quando participa desse tipo de pesquisa, então é importante que outras pesquisas sejam feitas nessa área. A equipe espera que, com essas descobertas, seja possível desenvolver probióticos para restaurar o equilíbrio das bactérias vaginais.

Mas a mensagem principal é: sempre que possível, use camisinha. E a correta higiene do pênis também ajuda a evitar a propagação dessas outras bactérias, que podem não causar doenças, mas deixam as mulheres mais suscetíveis a infecções que podem ser graves.


Cientistas identificam nova DST que nem sempre causa sintomas
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Jairo Bouer

condom300Cientistas identificaram uma possível nova infecção sexualmente transmissível que raramente causa sintomas. A bactéria responsável, chamada Mycoplasma genitalium, foi descoberta há 30 anos, mas agora um estudo reforça a teoria de que a contaminação ocorre por contato sexual.

Segundo trabalho publicado no International Journal Epidemiology e divulgado no jornal Daily Mail, aproximadamente 1% da população britânica de 16 a 44 anos está infectada.

Indivíduos com vários parceiros sexuais, que não usam camisinha e vivem em áreas mais carentes foram os que mais tiveram resultado positivo em exames de urina feitos em mais de 4.500 pessoas no Reino Unido.

Os pesquisadores dizem que mais de 90% dos infectados são homens. Entre as mulheres afetadas, dois terços estavam na faixa de 25 a 44 anos. Os pesquisadores não encontraram a infecção em jovens de 16 e 17 anos que ainda não haviam feito sexo, por isso eles acreditam que se trata mesmo de uma doença sexualmente transmissível.

Os efeitos a longo prazo da infecção ainda não estão claros, mas pesquisas indicam que há risco de inflamação de uretra, doença inflamatória pélvica e, eventualmente, infertilidade feminina.

A maioria dos infectados da pesquisa não havia apresentado sintomas no mês anterior aos testes. Entre os sinais relatados, o mais comum foi sangramento após a relação sexual.

Ainda são necessárias mais pesquisas para detalhar essa nova infecção, mas, ao que tudo indica, as pessoas vão ter mais um motivo para usar camisinha.


Bactéria presente no muco vaginal pode barrar o HIV, sugere estudo
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vaginacolica300Um determinado tipo de bactéria presente no muco vaginal pode tornar certas mulheres mais resistentes à infecção pelo HIV, o vírus da Aids. É o que mostra um estudo publicado na mBio, periódico on-line da Sociedade Americana de Microbiologia.

O muco da vagina e do colo do útero pode agir como uma barreira contra micro-organismos causadores de doenças. Segundo pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, uma espécie particular de bactéria, chamada de Lactobacillus crispatus, seria capaz de exercer uma espécie de barreira contra o HIV.

Eles chegaram à conclusão após analisar amostras de mucos de 31 mulheres em idade reprodutiva. Em laboratório, ficou claro que a presença desse tipo específico de bactéria fazia com que o muco “prendesse” as partículas de HIV. Os pesquisadores não sabem, ainda, como é possível aumentar a população desse micro-organismo na vagina das mulheres. As informações são do site ScienceDaily.

Trata-se de um estudo pequeno, feito somente em laboratório, mas a descoberta pode abrir caminho para novas formas de reduzir o risco ou mesmo bloquear a transmissão vaginal do HIV. O que se tem certeza, até agora, é que determinadas DSTs, como a vaginose provocada pela Gardnerella vaginalis, podem facilitar a infecção pelo HIV. Portanto, evitar essas doenças também é uma maneira de se proteger contra o vírus da Aids.


Estudo relaciona depressão e ansiedade às bactérias do intestino
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PREOCUPACAO300Uma equipe de cientistas canadenses afirma que a ansiedade e a depressão podem ter relação com as bactérias que vivem no intestino. O trabalho foi publicado na revista Nature Communications.

A pesquisa, feita em ratos, sugere que sintomas de ansiedade e depressão provocados pela exposição ao estresse no início da vida aparecem somente com a presença de germes no intestino.

Os resultados reforçam achados de pesquisas anteriores. Em uma delas, os pesquisadores descobriram que camundongos sem a presença de bactérias no intestino eram menos propensos a apresentar comportamentos ansiosos.

O trabalho atual avaliou animais que tinham sido expostos a uma experiência estressante no início da vida – eles foram separados de suas mães precocemente. Ao crescer, eles apresentaram comportamentos semelhantes ao de pessoas ansiosas e deprimidas, além de disfunção intestinal e níveis anormais de hormônio do estresse.

Já as cobaias livres de germes expostas ao mesmo tipo de estresse não apresentaram quaisquer sinais de ansiedade ou depressão mais tarde.

Os cientistas, então, transferiram as bactérias dos ratos normais, também expostos à experiência traumatizante, para os animais livres de germes. Em pouco tempo, eles passaram a apresentar os comportamentos depressivos e ansiosos. Os resultados foram noticiados no jornal britânico Independent.

Segundo o principal autor, Premysl Bercik, da Universidade McMaster, ainda é preciso testar a hipótese em seres humanos. Mas ele acredita que terapias que têm como alvo a microbiota intestinal podem, no futuro, beneficiar pacientes com transtornos psiquiátricos.


Estudo explica relação entre vitamina B12 e acne
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ACNE300Pesquisadores descobriram que a acne pode ser desencadeada por uma vitamina. Segundo um estudo, a B12, encontrada em carnes, peixes e laticínios, acelera a atividade de bactérias que fazem com que as espinhas se desenvolvam na pele.

Os cientistas, da Universidade da Califórnia, dizem que a descoberta explica por que algumas pessoas que tomam suplementos de vitamina B12 têm crises de acne. E eles esperam que isso leve a novos tratamentos contra o problema.

A equipe explica que a vitamina altera a atividade metabólica das bactérias Propionibacterium acnes. Elas passam a secretar um composto inflamatório que, por sua vez, gera as espinhas. Mas o efeito não é o mesmo para todo mundo – algumas pessoas são mais vulneráveis do que outras devido à complexa interação com esses micro-organismos.

Vale lembrar que não dá para ficar sem vitamina B12, que tem papel fundamental no funcionamento normal do cérebro e do sistema nervoso, e também na formação de células vermelhas. A deficiência da vitamina pode levar a fadiga e falta de energia.  Veganos radicais, que não consomem produtos de origem animal, com frequência precisam de suplementação.


Você divide seu banheiro com alguém? Então cuide da sua escova de dente
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ESCOVADENTE300Você divide o banheiro com alguém? Então é bom ficar de olho nesta notícia: pesquisadores descobriram que mais de 60% das escovas de dentes coletadas em apartamentos de estudantes apresentam contaminação fecal. E o que é pior: na maior parte das vezes, ou 80%, os micro-organismos são de outras pessoas, e não do próprio dono da escova de dente.

Os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, em Nova Orleans, e divulgados no site Medical News Today.

Segundo o autor do estudo, Lauren Aber, da Universidade de Quinnipiac, em Connecticut, nos Estados Unidos, encontrar matéria fecal na própria escova de dente não é tão grave assim, embora seja nojento. O problema é levar à boca um utensílio com bactérias, vírus e parasitas que não fazem parte da própria flora normal. Isso sim tem potencial para causar uma infecção.

A contaminação das escovas é comum porque em geral elas ficam sobre a pia, e acabam expostas a micro-organismos do vaso sanitário e de todos os que usam o local. Para chegar às conclusões, Aber e sua equipe coletaram e testaram escovas de banheiros dos apartamentos de estudantes da própria universidade. Cada um era usado por cerca de nove pessoas por dia.

Os pesquisadores lembraram as seguintes recomendações da Associação Americana de Odontologia: não compartilhe a escova de dente com outras pessoas; não deixe as escovas em recipientes fechados; lave bem o utensílio na torneira depois de escovar os dentes; e troque a escova no mínimo a cada três meses.



Cerca de 80 milhões de bactérias podem ser transferidas em um único beijo
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BEIJO300Um único beijo de língua de 10 segundos é capaz de transferir 80 milhões de bactérias de uma boca para outra. É o que mostra um estudo publicado na revista Microbiome. O trabalho também mostrou que parceiros que se beijam ao menos nove vezes ao dia compartilham as mesmas colônias de bactérias.

Nosso corpo é formado por um ecossistema de mais de 100 trilhões de micro-organismos, essenciais para a digestão dos alimentos, a síntese de nutrientes e para nos proteger de doenças. Nossa boca costuma abrigar 700 variedades diferentes de bactérias, que os especialistas chamam de microbiota bucal. A genética, a dieta e a idade interferem nesse equilíbrio, assim como as pessoas com as quais interagimos.

Pesquisadores da organização holandesa TNO avaliaram 21 casais, pedindo que preenchessem questionários sobre o comportamento deles em relação ao beijo. Depois, colheram amostras para analisar a composição da microbiota bucal dos participantes. Os resultados mostraram que, quanto mais os casais afirmam se beijar, mais parecidas são as bactérias de suas bocas.

Em outra experiência, um membro do casal consumia uma bebida probiótica com variedades específicas de bactérias, como Lactobacillus e Bifidobacteria. Depois do beijo de língua, os pesquisadores descobriram que a quantidade de bactérias probióticas na saliva dos receptores havia triplicado. A partir disso, foi possível calcular o número de micro-organismos transferidos pelo beijo.

Um dado curioso relatado pelos autores, mas que não tem a ver exatamente com a pesquisa, é que 74% dos homens relataram frequências de beijo maiores que suas parceiras. Eles disseram que o casal se beijava cerca de dez vezes por dia, enquanto as mulheres relataram uma média de cinco beijos diários. Os pesquisadores tiveram que calcular a média, além de contar com as análises das amostras, para chegar aos números finais.


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