Blog do Doutor Jairo Bouer http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre saúde, sexo e comportamento. Sat, 23 Jun 2018 00:12:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Likes” não cortam efeito dos comentários maldosos nas redes sociais http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/22/likes-nao-cortam-efeito-dos-comentarios-maldosos-nas-redes-sociais/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/22/likes-nao-cortam-efeito-dos-comentarios-maldosos-nas-redes-sociais/#respond Sat, 23 Jun 2018 00:12:18 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2799

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Tem gente que está acostumada, mas, para boa parte das pessoas, ler uma crítica ou comentário maldoso nas redes sociais é algo que gera raiva, ansiedade e até sintomas depressivos.

Apesar disso, essas plataformas também têm suas vantagens, e as pessoas seguem em frente. Será que as experiências positivas superam as negativas? De acordo com pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, a resposta é não. Eles analisaram o impacto do uso de redes sociais em 1.179 estudantes de 18 a 30 anos de idade, e descobriram algo preocupante.

Os resultados indicaram que para cada aumento de 10% nas experiências negativas nas redes sociais, o risco de depressão para os usuários se elevava em 20%. E essas interações desagradáveis não foram neutralizadas pelos “likes” ou comentários positivos, de acordo com os pesquisadores.

A equipe concluiu que, infelizmente, as pessoas tendem a valorizar mais acontecimentos negativos do que positivos. Se uma pessoa receber quatro comentários bacanas após publicar uma foto e apenas um deles for de mau gosto, por exemplo, é mais provável que ela dê mais atenção para esse último.

É preciso lembrar que outras pesquisas já destacaram alguns benefícios das redes sociais para o bem-estar. Muita gente obtém alívio após fazer algum desabafo e receber suporte dos amigos, para não falar no quanto é bom retomar contato com amigos que você adorava, mas não encontraria mais se não fosse pela internet.

Agora, se você percebe que seu humor é afetado por causa de gente que não sabe ser educada ao manifestar uma posição contrária, ou é maldosa, mesmo, talvez seja melhor passar menos tempo nas redes sociais. Essas pessoas desagradáveis existem aos montes, e elas se sentem protegidas pela distância que a internet proporciona. Tenha certeza de que você não vai ficar sem seus verdadeiros amigos se apagar seu perfil.

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Tem certos tipos de bullying que todo mundo aceita http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/20/tem-certos-tipos-de-bullying-que-todo-mundo-aceita/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/20/tem-certos-tipos-de-bullying-que-todo-mundo-aceita/#respond Wed, 20 Jun 2018 22:28:05 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2794

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Uma das formas mais frequentes de bullying é a exclusão. Quando a gente pensa no assunto, a primeira imagem que vem à mente é a de uma criança que, por causa da aparência, é deixada sozinha na hora do recreio e, ao tentar entrar numa roda, alguém do grupo diz que ela não foi convidada.

Mas a exclusão é bastante frequente entre adultos, também. Como aquele sujeito que sempre faz perguntas insistentes, na reunião, e acaba sendo deixado de lado nas festas informais da firma, ou o cara que sempre levanta a mão para questionar o professor na faculdade, e gera olhares impacientes ou risadinhas.

Quando as pessoas que estão de fora fazem seus próprios julgamentos, uma situação de bullying pode ser reforçada ou inibida. O mesmo grupo que morreria de pena da menina excluída de brincadeiras na escola pode achar justo que o cara insistente da sala de aula seja colocado de escanteio porque, afinal, ninguém aguenta os comentários dele.

Entender por que certas pessoas são julgadas por um grupo é importante para tentar entender esse fenômeno, que já se mostrou perigoso. Diversas pesquisas mostram que quem sofre humilhações de maneira consistente na escola ou no trabalho é muito mais propenso a depressão, suicídio e abuso de álcool e drogas. E quem humilha também é vulnerável, segundo novas evidências.

Um estudo que acaba de ser publicado pela Universidade da Basileia, na Suíça, mostra que muita gente faz julgamentos inconscientes com base nas diferenças ou semelhanças da vítima em relação ao grupo. Você já sabe que minorias sofrem muito bullying porque são diferentes, certo? Mas na prática da exclusão, que é mais sutil, a lógica pode ser bem diferente.

Os pesquisadores, liderados pela psicóloga Selma Rudert, conduziram cinco experimentos para examinar fatores que podem influenciar o julgamento das pessoas em relação à exclusão. O número de participantes em cada um dos testes variou de 30 a 527.

A equipe percebeu que as pessoas tendem a achar mais injusto excluir alguém que é visivelmente diferente do restante do grupo, como indivíduos com cor de pele ou etnia diferentes. Já quando a vítima é muito semelhante, os espectadores são mais propensos a considerar que ela, digamos assim, recebeu o que merecia.

Em um dos experimentos, uma discussão foi simulada na sala de aula por três estudantes, e um deles era sempre ignorado pelos outros dois. Quando o excluído era de um país diferente, ou tinha outro tom de pele, a classe ficava irritada com os dois alunos. Mas quando os três eram semelhantes, ninguém se manifestou a favor da vítima.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno se repetiu mesmo quando as diferenças eram superficiais, como um penteado de cabelo. Isso indica, para eles, que as pessoas tendem a incorporar as semelhanças de forma inconsciente ao fazer julgamentos morais. Esses resultados foram publicados no Journal of Personality and Social Psychology.

Moral da história? Talvez todo mundo tenha que se policiar um pouco para não cometer certas injustiças de forma inconsciente. Não adianta protestar contra o bullying e o preconceito se a gente também não aceitar melhor que algumas pessoas têm opiniões e comportamentos diferentes da maioria.

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Nos EUA, cerca de 1 a cada 5 adolescentes já considerou suicídio http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/nos-eua-cerca-de-1-a-cada-5-adolescentes-ja-considerou-suicidio/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/nos-eua-cerca-de-1-a-cada-5-adolescentes-ja-considerou-suicidio/#respond Mon, 18 Jun 2018 22:58:53 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2791

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No ano passado, quase um terço dos jovens norte-americanos de 15 a 17 anos de idade (ou 31,5%), apresentou períodos de tristeza e desesperança persistentes, quase todos os dias e por mais de duas semanas, a ponto de ter interrompido alguma atividade por causa disso. Além disso, mais de 17% pensaram seriamente em tirar a própria vida e 7,4% efetivamente tentaram suicídio. Todas essas proporções mais altas que as registradas há dez anos.

Os números acima fazem parte da Pesquisa de Comportamentos de Risco na Adolescência, feita pelo Centro de Pesquisa e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) a cada dois anos. Os dados refletem as atitudes e ideias de 15 mil alunos de ensino médio de 39 estados diferentes.

A realidade de jovens brasileiros e norte-americanos é diferente. Lá, por exemplo, a taxa média de suicídios ainda é bem mais alta que a nossa – cerca de 16 a cada 100 mil pessoas tentam acabar com a própria vida a cada ano, enquanto no Brasil a estimativa é de 5,5 a cada 100 mil habitantes. Mas os números, em ambos os países, têm aumentado entre os adolescentes, por isso pesquisas como esta podem trazer pistas importantes sobre o problema.

Pela segunda vez, o levantamento do CDC envolveu a orientação sexual dos participantes, e os dados revelam discrepâncias: os relatos de tristeza e desesperança foram muito mais frequentes entre jovens gays, lésbicas e bissexuais (63%) do que entre os heterossexuais (27,5%), e as tentativas de suicídio seguem o mesmo padrão.

Vinte e sete por cento dos jovens de minorias sexuais relataram ter sofrido bullying pela internet no último ano, o dobro do registrado para estudantes heterossexuais. E 63% disseram ter sofrido violência sexual, em comparação com 27% dos entrevistados heterossexuais. O uso de drogas também é mais frequente entre eles.

Outro dado que chama atenção na pesquisa é que jovens de todas as orientações sexuais têm usado menos camisinha: apenas 54% afirmaram ter usado proteção na relação mais recente, contra 62%, em 2007. E a proporção é ainda mais baixa entre os adolescentes gays, lésbicas e bissexuais, o que comprova que lá, assim como no Brasil, faltam campanhas direcionadas.

O estudo também trouxe alguns resultados positivos quando se considera a população geral de jovens: o uso da pílula aumentou (de 25,3% para 29,4%), o uso de drogas ilícitas diminuiu (de 22,6% para 14%) e a proporção de adolescentes que já tiveram relações sexuais diminuiu de 48% para 39%.

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O que acontece quando você troca seu filho pelo celular http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/o-que-acontece-quando-voce-troca-seu-filho-pelo-celular/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/o-que-acontece-quando-voce-troca-seu-filho-pelo-celular/#respond Wed, 13 Jun 2018 20:32:34 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2786

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Pais que passam muito tempo no smartphone ou assistindo à TV nos momentos em que a família está junta não têm ideia de como isso tem influência sobre o relacionamento deles com os filhos. Segundo um estudo conduzido por pesquisadores das universidades de Illinois e de Michigan, nos Estados Unidos, a interferência da tecnologia leva as crianças a apresentarem mais frustrações, hiperatividade, choros e birras.

Adultos têm dedicado nove horas por dia, em média, às telas de TV, computadores, tablets ou smartphones. Esses dois últimos, ou seja, a tecnologia móvel, representa um terço do total, segundo estimativas recentes. Essas telinhas hoje têm feito parte das refeições em família, dos momentos de lazer e até são levadas para a cama à noite. Isso quando não se sobrepõem: adultos dividem a atenção na TV com o smartphone, enquanto as crianças assistem à TV e usam tablet ao mesmo tempo.

Levantamentos recentes também mostram que as interações face a face são interrompidas com cada vez mais frequência. Basta a gente fazer uma autoanálise. Por isso os pesquisadores decidiram investigar o impacto do que eles chamam de “tecnoferência” (interferência da tecnologia) no comportamento e nas relações familiares.

A equipe analisou dados de 337 pais e mães com filhos de até 5 anos de idade, ao longo de dois anos. Nos questionários, os adultos tinham que quantificar e descrever as situações em que eles e as crianças usavam os diferentes tipos de tecnologia. Também foram levantadas questões sobre comportamento, tendência ao estresse e depressão.

Os resultados da análise foram publicados no periódico Pediatric Research. Uma das conclusões apontadas é que, quanto maior o uso da tecnologia, maior a tendência das crianças ficarem bravas ou tristes com facilidade, e terem crises de birra quando contrariadas.

Quando os pais estão concentrados em seus dispositivos móveis e as crianças vêm interromper com alguma pergunta, a tendência é eles responderem com pressa ou até de forma hostil. OK, isso já era realidade com o advento da TV. O problema é que, agora, a “TV” vai com a família para todo lugar, inclusive para as festas. É natural que os pequenos amplifiquem suas reações para chamar a atenção dos pais.

Para piorar tudo, há um ciclo vicioso: a criança tem que fazer mais escândalo para tirar os pais da tecnologia, e eles ficam mais estressados por causa disso e, adivinhe o que acontece? Eles tendem a se voltar mais ainda para a tecnologia para obter um refúgio das birras infantis. As crianças, por sua vez, também vão substituir a falta de conversa, atenção e apoio emocional pelos prazeres proporcionados pelas telas.

Com esse cenário, fica fácil entender porque os jovens não dão atenção integral para os próprios pais, tios ou professores, e são vistos como dispersos ou pouco educados. A coisa já está complicada, mas pode ficar ainda mais.

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Capacidade de distinguir emoções pode se alterar na adolescência http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/capacidade-de-distinguir-emocoes-pode-se-alterar-na-adolescencia/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/capacidade-de-distinguir-emocoes-pode-se-alterar-na-adolescencia/#respond Mon, 11 Jun 2018 22:57:02 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2784

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Adolescentes podem ter uma dificuldade maior para distinguir emoções negativas em relação a adultos e até mesmo crianças, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A descoberta pode ajudar a explicar por que essa fase da vida costuma ser meio complicada.

Os cientistas detectaram que as crianças tendem a perceber e relatar apenas uma emoção de cada vez. Já os adultos com cerca de 20 anos conseguem experimentar várias emoções ao mesmo tempo e diferenciá-las. A adolescência seria um período de transição, em que os indivíduos começam a experimentar emoções múltiplas, mas ainda não sabem diferenciá-las muito bem, segundo a equipe descreve em artigo publicado no período Psychological Science.

A pesquisa contou com 143 participantes de 5 a 25 anos, que completaram tarefas relacionadas a emoções, como observar fotos diferentes com cenas negativas e tentar classificar o que os personagens estavam sentindo e com qual intensidade. Os temas abordavam raiva, nojo, tristeza, medo e decepção.

Os resultados geraram gráficos em “U”: a distinção das emoções negativas diminuiu na adolescência e voltou a aumentar na idade adulta. Embora as crianças tenham apresentado a tendência de relatar uma emoção por vez, os adolescentes foram mais propensos a citar várias, mas sem distinguir tão bem as diferenças entre elas ao longo do experimento. Só com o avanço da idade que a capacidade se consolidou.

A hipótese precisa ser confirmada por outros estudos mais amplos. Outros estudos já mostraram que as alterações de comportamento típicas da adolescência talvez não sejam resultado apenas da explosão de hormônios da puberdade. Neurocientistas da Universidade da Pensilvânia, no ano passado, constataram, com exames de imagem de 1.189 jovens de 8 a 23 anos, que o volume de massa cinzenta no cérebro diminui na adolescência, ao mesmo tempo em que a sua densidade aumenta.

Eles também descobriram que o padrão dessas mudanças é diferente para meninos e meninas – elas têm uma densidade um pouco maior para compensar o volume um pouco menor que o deles. A massa cinzenta é responsável pelo processamento de emoções, fala, decisões, autocontrole etc, por isso é compreensível que tudo isso se altere diante de mudanças cerebrais tão profundas.

Muitos transtornos psiquiátricos têm início nessa fase da vida, bem como o uso abusivo de drogas e álcool. Por isso, entender melhor como os adolescentes processam emoções pode dar pistas mais concretas de como evitar esses problemas, que podem ter impacto pelo resto da vida.

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O que você deve falar para o seu filho sobre álcool e drogas http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/o-que-voce-deve-falar-para-o-seu-filho-sobre-alcool-e-drogas/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/o-que-voce-deve-falar-para-o-seu-filho-sobre-alcool-e-drogas/#respond Fri, 08 Jun 2018 23:15:25 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2780

Crédito: US Drug Enforcement Administration

Muitos pais de adolescentes imploram para os filhos nunca usarem drogas e nem chegar perto delas. Mas pregar a abstinência é uma estratégia que não tem funcionado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem mostrado que a proporção de adolescentes que experimenta álcool e drogas só aumenta.

Segundo o IBGE, 9% dos brasileiros de 13 a 15 anos já provaram drogas ilícitas, contra 7,3%, em 2012. A experimentação de álcool também passou de 50 para 55% de lá para cá, sendo que um em cada cinco garotos ou garotas dessa faixa etária admite que já ficou bêbado.

O que os pais podem fazer? Em primeiro lugar, estudar o assunto de cabo a rabo, porque mitos e exageros só aumentam a distância entre um jovem, que precisa de informação confiável, e seu pai, que não frequenta as mesmas baladas. Depois, iniciar uma conversa franca e dar dicas práticas.

A Drug Policy Alliance, uma instituição sem fins lucrativos, nos Estados Unidos, voltada para redução de danos, elaborou um guia com sugestões úteis para proteger os adolescentes de encrencas. O conteúdo foi traduzido no Brasil pelo Instituto Igarapé, uma “think tank” como agenda similar que tem sede no Rio de Janeiro. O site da instituição também disponibilizou um material específico para professores, com uma proposta de aula sobre o tema.

Destaco, aqui, algumas dicas do guia elaborado para os pais, que podem ser úteis para quem não sabe muito bem como ajudar sem “chover no molhado”:

– Como recusar: em vez de dizer para eles dizerem não, dê sugestões de como fazer isso na prática. “Não me cai bem”, “Estou tomando remédio e não posso misturar” ou “Amanhã tenho que acordar cedo” são algumas ideias para lidar com um colega insistente.

– Evitar “apagões”: comer bem, dormir o suficiente e tomar bastante água podem impedir que eles passem mal depois de exagerar no álcool ou experimentar alguma droga.

– Coloque-se à disposição: muitos adolescentes se colocam em risco por não terem confiança suficiente para pedir ajuda aos pais na hora do aperto. Vença essa barreira e diga sempre que você pode ir buscá-lo no meio da madrugada, se ele estiver numa situação em que a carona ou ele próprio exagerou na bebida.

– Lembre que há diferenças: pais e mães de meninas devem avisar que, por causa da massa corporal e de questões hormonais, elas se intoxicam mais rápido e com menor quantidade de álcool. E que antes e durante a menstruação elas podem sentir mais os efeitos da intoxicação.

– Fale sobre misturas: ensine que bebidas alcoólicas interagem (mal) com certos medicamentos e ainda mais com outras drogas. E que bebidas doces, quando misturadas ao álcool, são um convite ao exagero.

– Bebidas e sexo: o álcool relaxa e pode comprometer a capacidade de uma pessoa ter uma noção clara dos riscos de uma situação, como transar sem camisinha. Estimule seu filho a criar um esquema de vigilância mútua com os amigos, amigas ou irmãos, para que ninguém seja deixado sozinho bêbado ou drogado.

– Este aviso é um dos mais importantes: drogas ilícitas não têm rótulo, nem controle de qualidade. A maioria das mortes por uso de substâncias ocorre porque a pessoa não sabia o que estava consumindo.

– O velho conselho de não aceitar bebidas de estranhos já virou clichê. Talvez seja bom avisar que alguns colegas sem noção podem batizar o copo ou a garrafa do seu filho para fazer uma brincadeira de mal gosto. Diga para ele acompanhar o preparo dos drinques e tirar a tampinha ele próprio.

A geração atual está exposta a uma variedade maior de substâncias sintetizadas em laboratórios de fundo de quintal. Até a maconha, que muitos pais usaram na juventude, hoje tem uma potência maior por causa de novas técnicas de cultivo.  Nem sempre é possível evitar que eles experimentem essas drogas, mas se informar e manter o diálogo pode impedir muitos problemas.

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Beber muito só no fim de semana também é problema http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/beber-muito-so-no-fim-de-semana-tambem-e-problema/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/beber-muito-so-no-fim-de-semana-tambem-e-problema/#respond Wed, 06 Jun 2018 22:44:15 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2774

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Quem sente necessidade de beber até ficar alterado todo dia tem um problema sério com álcool, e não é preciso ser médico para fazer o diagnóstico. Muita gente, porém, acha que está protegido do alcoolismo porque bebe só nos fins de semana, ainda que a quantidade ingerida nessas ocasiões seja grande. Esse comportamento, tão comum, tem um nome: beber pesado episódico, e suas consequências podem ser tão graves quanto as vivenciadas pelos alcoólatras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo pode ser usado para mulheres que bebem quatro ou mais doses de álcool em cerca de duas horas. Para homens, cinco ou mais. Cada dose seria equivalente a uma taça de vinho (120 ml), uma tulipa grande de cerveja (285 ml) ou um “shot” de bebida destilada (30 ml). Não é difícil ver gente que ultrapassa essa quantidade toda vez que vai encontrar os amigos no bar.

A prática é bem comum entre os jovens. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), levantamentos feitos em todas as capitais indicam que 25%, ou um a cada quatro, universitários têm esse hábito. Se antigamente era mais comum ver homens competindo para ver quem bebia mais, hoje estudos feitos no mundo todo alertam para o aumento da frequência do beber pesado episódico entre as mulheres.

Um estudo publicado recentemente por pesquisadores da Universidade do Mississipi, nos Estados Unidos, revela que a prática pode causar mudanças duradouras no cérebro, ainda mais nos mais jovens. A questão é que beber demais, em pouco tempo, gera uma tolerância ao álcool e, na balada seguinte, vai ser preciso beber mais para sentir o mesmo bem-estar. É um passo importante não só para o alcoolismo, mas para mortes por overdose. As conclusões foram publicadas no periódico eNeuro.

Uma outra pesquisa, feita pela Universidade de Estocolmo, na Suécia, com dados de 49 mil habitantes, mostra que beber pesado na juventude tem um impacto direto no risco de desenvolver cirrose mais tarde. A doença com frequência leva ao câncer e à necessidade de transplante.

Muita gente costuma dizer que vai pegar leve no sábado, porque já exagerou na sexta, mas o ideal seria nunca ultrapassar as quatro ou cinco doses.

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Jovens querem sexo rápido, mas não têm pressa nenhuma para casar http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/04/jovens-querem-sexo-rapido-mas-nao-tem-pressa-nenhuma-para-casar/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/04/jovens-querem-sexo-rapido-mas-nao-tem-pressa-nenhuma-para-casar/#respond Mon, 04 Jun 2018 23:27:12 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2769

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Sites e aplicativos de encontros têm facilitado encontros e a possibilidade de conseguir um parceiro sexual ou amoroso. Como é que isso tem interferido nos relacionamentos românticos? Muita gente acha que as relações se tornaram mais superficiais por causa disso. Mas algumas pesquisas norte-americanas sugerem que, apesar de tudo estar acontecendo mais rápido hoje em dia, os jovens têm dedicado mais tempo para conhecer o parceiro antes de se casar. E isso pode ser bom.

De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo site eHarmony, jovens de 25 a 34 anos de idade têm levado, em média, seis anos e meio para se decidir pelo casamento. Isso significa que houve um acréscimo de mais ou menos um ano e meio em relação às gerações anteriores. Além disso, essa é a geração que relata maior satisfação com o relacionamento e maior frequência sexual. O levantamento contou com mais de 2.000 pessoas com mais de 18 anos, e foi divulgado no The New York Times.

Se os nossos pais ou avós queriam casar cedo para sair logo de casa e ter mais independência, hoje o casamento virou a última prioridade, digamos assim. Mas isso não significa que a vontade de ter um relacionamento sério foi para o brejo. Outro estudo recente feito nos Estados Unidos, com mais de 5.000 pessoas, mostrou que 70% ainda estão em busca disso. Uma das coordenadoras desse estudo é a antropóloga Helen Fischer, que há anos estuda o assunto e é consultora de outro site de encontros famoso no país, o Match.com.

Para Fischer, a atual geração quer sexo rápido, mas amor lento – ela usa a expressão “slow love” da mesma forma que os ativistas contrários aos lanches rápidos (“fast food”), que trazem prazer instantâneo, mas problemas de saúde a longo prazo. Aparentemente, as pessoas se deram conta de que a paixão e a atração podem acabar rápido, após apenas alguns encontros, enquanto o amor verdadeiro requer anos de amizade e convivência. Seria o fim do romantismo? É cedo para dizer.

Vale lembrar que questões socioeconômicas têm um peso muito grande na vida a dois. Em países em desenvolvimento, por exemplo, casamento ainda é um meio de obtenção de status. Segundo uma pesquisa do Instituto Promundo divulgada em 2016 pela Agência Senado, o Brasil é o 17º país do mundo a ter mais casamentos de meninas com menos de 18 anos. Na maioria das vezes, isso acontece por pressão da família após a gravidez na adolescência.

Já nos EUA, as taxas de adolescentes e mulheres na faixa dos 20 e até dos 30 anos de idade que se tornam mães tem caído progressivamente desde 1980. Segundo um relatório do governo publicado pela agência de notícias Associated Press, as mulheres na faixa dos 40 anos foram o único grupo com taxas de natalidade mais altas no ano passado, 2% a mais que em 2016. Assim como o casamento foi adiado, ter filhos também tende a vir mais tarde. Os jovens só não devem se esquecer que a fertilidade não é eterna.

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Mania de dieta leva jovens a comportamentos de risco http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/01/mania-de-dieta-leva-jovens-a-comportamentos-de-risco/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/01/mania-de-dieta-leva-jovens-a-comportamentos-de-risco/#respond Fri, 01 Jun 2018 21:59:33 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2767

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Adolescentes que fazem dieta mais propensas a desenvolver comportamentos de risco como passar muitas horas em jejum, fumar e abusar da bebida, segundo um estudo com mais de 3.300 garotas canadenses acompanhadas por três anos.

O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade de Waterloo, mostra que a preocupação com o peso tem colocado essas jovens em risco.

Uma das ciladas mais comuns entre as adolescentes é a prática de jejum. Quem passa muitas horas sem comer não consegue se exercitar e nem mesmo prestar atenção na aula. Para piorar, a tendência é exagerar na refeição seguinte, o que só aumenta a culpa e o impulso de retomar a privação.

Usar laxantes é outro erro: o máximo que se perde com eles é água, e ainda há o risco de ficar dependente deles para ir ao banheiro.

Com o tempo, hábitos desse tipo podem levar a transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia, que não têm nada de glamurosos: causam enorme sofrimento e risco à saúde.

O cigarro é outra roubada. Se a ideia é levar algo à boca, é melhor tomar ter água e vegetais por perto para beliscar. E não é preciso dizer que o álcool é calórico, e que beber de barriga vazia intensifica a embriaguez, o que aumenta o risco de se meter em encrencas, para não falar nos danos da bebida ao fígado e ao cérebro.

Como reforçam os autores do estudo, esses comportamentos observados são preocupantes uma vez que 70% das adolescentes fazem dieta, de acordo com as estatísticas.

É importante que os pais fiquem atentos, e que as amigas mais informadas ajudem as que estão em risco. Hábitos que começam na adolescência tendem a ser levados para a vida adulta. E quando o corpo começar a dar os sinais de que foi maltratado, vai ser difícil se livrar dos vícios que você criou para vencer apenas alguns quilos a mais.

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Smartphone pode trazer problemas, mas também soluções http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/05/30/smartphone-pode-trazer-problemas-mas-tambem-solucoes/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/05/30/smartphone-pode-trazer-problemas-mas-tambem-solucoes/#respond Thu, 31 May 2018 00:54:22 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2764

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Muitos estudos vêm destacando os problemas associados ao uso excessivo dos smartphone – prejuízos ao sono, às relações interpessoais, a dificuldade de se desligar do trabalho e assim por diante. Mas as tecnologias móveis também têm sido estudadas como ferramenta para ajudar as pessoas a cuidar da saúde. Aplicativos para combater o fumo, estimular a dieta ou o consumo de água são alguns exemplos.

Há até apostas mais ousadas. Um pequeno estudo publicado pela Universidade de Washington, esta semana, concluiu que um aplicativo de smartphone pode trazer resultados comparáveis a uma sessão de terapia em grupo para pacientes com transtornos psiquiátricos graves como a depressão. A tecnologia ainda gerou uma taxa de adesão maior, de acordo com os pesquisadores.

O experimento, descrito na revista Psychiatric Services, contou com 163 pessoas. Desse total, 49% tinham esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo, 28%, transtorno bipolar e 23% tinham depressão. Em média, os participantes tinham 49 anos, 59% eram homens e 65% eram afro-americanos.

Uma parte dos pacientes foi convidada a usar o aplicativo, enquanto a outra tinha a opção de ir a sessões de terapia em grupo. No final, 90% dos participantes designados a usar o app utilizaram a ferramenta ao menos uma vez, enquanto apenas 58% dos pacientes da terapia de grupo compareceram em pelo menos uma sessão.

Cerca de 56% dos participantes do grupo do aplicativo para celular completaram oito semanas ou mais de trabamento. Entre os designados para a terapia presencial, 40% cumpriram o programa. As duas intervenções receberam notas altas de satisfação no que se refere ao alívio dos sintomas.

O resultado reflete o que acontece um pouco na prática: muitos pacientes com transtornos psiquiátricos que precisam de terapia têm dificuldades para sair de casa, ou não tem acesso ao atendimento por motivos financeiros. Muitas vezes até o medo do estigma fala mais alto, e a pessoa acaba sem qualquer tipo de ajuda.

Claro que algoritmos estão longe de substituir o psiquiatra ou o psicólogo no diagnóstico e tratamento desses transtornos. Mas, da mesma forma que já existem aplicativos que ensinam técnicas de relaxamento, por exemplo, é possível que essas ferramentas ajudem as pessoas a regular emoções ou pensamentos negativos que aparecem no meio do dia.

No ano passado, um aplicativo que ajuda pacientes com transtorno bipolar a identificar episódios de mania (euforia), desenvolvido por pesquisadores das universidades de Illinois e do Michigan, chegou a ser premiado e pode, em alguns anos, ser disponibilizado no mercado. E já existe até um aplicativo feito na universidade alemã de Bonn, o Menthal, capaz de dizer se você está viciado no smartphone. Chega a ser contraditório depender do celular para descobrir que o aparelho está te fazendo mal. Mas é junto que a tecnologia também traga soluções para os problemas que causa.

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