Blog do Doutor Jairo Bouer http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre saúde, sexo e comportamento. Mon, 16 Apr 2018 22:57:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Grávidas com hiperglicemia podem ter filhas que vão menstruar mais cedo http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/16/gravidas-com-hiperglicemia-podem-ter-filhas-que-vao-menstruar-mais-cedo/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/16/gravidas-com-hiperglicemia-podem-ter-filhas-que-vao-menstruar-mais-cedo/#respond Mon, 16 Apr 2018 22:57:45 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2697

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Filhas de mulheres que estavam acima do peso e com nível de açúcar do sangue durante a gravidez tendem a entrar na puberdade mais cedo, entre 6 e 11 anos. É o que revela um estudo que contou com mais de 15 mil garotas e suas respectivas mães, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores do grupo Kaiser Permanente, que presta serviços de saúde no país, acreditam que o ambiente uterino tem um papel importante para o desenvolvimento das crianças, mais tarde. É na barriga da mãe que o cérebro é formado, e é ele que libera os hormônios que determinam o início da puberdade.

Os pediatras da instituição, liderados pelo pesquisador Ai Kubo, começaram a análise de registros eletrônicos de meninas e de suas mães em 2010, a fim de avaliar fatores relacionados à gravidez à puberdade.

O trabalho teve como principal autor o pesquisador Ai Kubo, da divisão de pesquisas da Kaiser Permanente no Norte da Califórnia, e foi publicado no American Journal of Epidemiology. As participantes eram de diferentes etnias e culturas.

A obesidade materna, definida como Índice de Massa Corporal (IMC) de 30 ou mais, foi associada a uma probabilidade 40% maior de uma garota entrar na puberdade precocemente. Para mães com sobrepeso (IMC entre 25 e 30), o risco foi 20% maior. Os resultados também apontaram uma diferença de 7 meses no início do desenvolvimento das mamas de filhas de mães obesas em comparação com as filhas de mães abaixo do peso.

Em relação ao desenvolvimento de pelos pubianos, as associações variaram de acordo com etnia ou raça. Asiáticas com mães obesas tinham 50% mais propensão a ter pelos pubianos mais cedo que as filhas de asiáticas com peso normal. Já para as afro-americanas não houve essa relação.

A hiperglicemia (açúcar do sangue elevado) durante a gravidez também foi associada ao início precoce do desenvolvimento da mama. Mas isso não foi observado para as mulheres que tinham diabetes gestacional, talvez porque elas tomaram mais cuidado com o peso e a dieta.

A puberdade precoce tem sido associada a condições como depressão, obesidade, diabetes tipo 2 e câncer, entre outros problemas de saúde, e por isso o tema tem sido bastante estudado. Alguns trabalhos mostram que a idade da menarca, ou seja, a primeira menstruação, diminuiu nas últimas décadas. Os resultados podem levar a novas condutas, no futuro, para evitar a puberdade precoce.

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Estudo liga síndrome do ovário policístico a transtornos mentais http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/13/estudo-liga-sindrome-do-ovario-policistico-a-transtornos-mentais/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/13/estudo-liga-sindrome-do-ovario-policistico-a-transtornos-mentais/#respond Fri, 13 Apr 2018 23:50:54 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2694

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Mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) podem ter uma propensão maior a ter transtornos mentais, como a depressão, e os filhos delas podem ter uma probabilidade mais alta de desenvolver transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista. As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Cardiff, no Reino Unido, e publicadas no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, da Sociedade de Endocrinologia.

O trabalho contou com dados de 11 milhões de pacientes de 674 centros de atenção básica daquele país. Cerca de 17.000 mulheres diagnosticadas com ovários policísticos tiveram seu histórico de saúde mental analisado, bem como os filhos de uma parcela dessas pacientes.

A síndrome afeta de 7 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, e está entre as principais causas de infertilidade para as mais jovens. Os principais sintomas são irregularidade menstrual, aumento na quantidade de pelos no corpo e no rosto, sobrepeso e acne, que podem, sem dúvida, interferir no bem-estar. Alguns estudos também indicam que essas pacientes também podem ter risco aumentado de diabetes.

Os transtornos mentais encontrados com maior frequência entre as mulheres diagnosticadas com SOP foram depressão, ansiedade, transtorno bipolar e transtornos alimentares, como bulimia e anorexia. Os autores do trabalho, coordenados por Aled Rees,  acreditam que o diagnóstico e tratamento precoce da síndrome poderia reduzir o risco.

Apesar de ser um trabalho com número grande de participantes, os pesquisadores afirmam que são necessários mais pesquisas para confirmar os resultados, e entender melhor como a síndrome pode interferir na saúde mental das mulheres e no neurodesenvolvimento dos filhos delas.

O tratamento da síndrome do ovário policístico pode incluir o uso da pílula anticoncepcional, além de outros remédios e tratamentos dermatológicos. Dieta e atividade física também são muito importantes para essas mulheres.

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Não basta ser pai, tem que fazer dieta e exercício junto http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/11/nao-basta-ser-pai-tem-que-fazer-dieta-e-exercicio-junto/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/11/nao-basta-ser-pai-tem-que-fazer-dieta-e-exercicio-junto/#respond Thu, 12 Apr 2018 00:04:45 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2691

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De uma forma geral, as mulheres são as maiores interessadas no que os filhos comem ou deixam de comer, as principais responsáveis pela lista de compras e pelo lanche que é levado para a escola. Conclusão? São elas, também, que levam a criança ou adolescente acima do peso para um profissional de saúde e acabam se envolvendo no programa de emagrecimento. No entanto, pesquisas mostram que os pais ou cuidadores masculinos têm um papel crucial nos hábitos alimentares e no nível de atividade física dos filhos.

Segundo pesquisadores da Universidade de Saúde Pública de Harvard T.H. Chan, nos Estados Unidos, uma criança é dez vezes mais propensa a ter excesso de peso quando somente o pai tem o problema, em comparação com crianças cujas mães, apenas, estão acima do peso. Apesar disso, eles raramente levam os filhos para as consultas com médicos ou nutricionistas, ou mesmo para praticar um esporte, sugere o estudo.

A equipe, do departamento de relações familiares e nutrição aplicada, analisou um total de 85 intervenções familiares conduzidas em diferentes países de 2008 para cá. Do total, 31 (37%) incluíram mães e pais, 29 (34%) incluíram apenas mães, 1 (1%) incluiu apenas pais e 24 (28%) não forneceram informações sobre o sexo dos cuidadores envolvidos. Em todas as intervenções, os homens representaram apenas 6% dos pais/cuidadores participantes. Os resultados foram publicados na revista Preventive Medicine.

A figura paterna exerce uma influência única no estilo de vida dos filhos, e as crianças poderiam ser mais bem-sucedidas na missão de comer melhor e fazer exercícios se os pais participarem tanto como as mães nos programas implementados pelos profissionais de saúde. Faltar no trabalho nem sempre é fácil, mas a saúde da criança deve ser a prioridade da família toda, ainda mais nesses tempos em que todo mundo passa o dia inteiro sentado.

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São necessárias 90 horas para um conhecido virar amigo, diz estudo http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/sao-necessarias-90-horas-para-um-conhecido-virar-amigo-diz-estudo/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/sao-necessarias-90-horas-para-um-conhecido-virar-amigo-diz-estudo/#respond Tue, 10 Apr 2018 01:30:26 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2688

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Quanto tempo demora para duas pessoas virarem amigas? Segundo um estudo da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, são necessárias cerca de 40 horas de convivência para um conhecido seu se transformar em “amigo casual”, 90 horas para ser considerado um amigo, e mais de 200 horas para ganhar um “amigo íntimo”.

O trabalho, coordenado pelo pesquisador Jeffrey Hall e publicado no Journal of Social and Personal Relationships, foi baseado em uma ferramenta online criada especificamente para identificar o nível de proximidade do usuário com novos amigos.

Na primeira fase do estudo, participaram 355 adultos que tinham mudado de cidade há mais ou menos seis meses. Os participantes descreveram cada relacionamento, estimaram quanto tempo haviam passado juntos e em que tipo de atividade. Parceiros românticos foram excluídos.

Depois, na segunda fase, a equipe entrevistou 112 calouros da universidade e pediu que cada um descrevesse o relacionamento com duas pessoas. Quatro e sete semanas depois, eles foram abordados novamente para dizer como a amizade tinha evoluído.

Depois de analisar os questionários respondidos nas duas fases, a equipe concluiu que o tempo gasto junto é um fator importante para determinar quem é amigo e quem não é. E essas horas compartilhadas devem envolver lazer  – conversar, sair para comer ou jogar algo, por exemplo. Trabalhar junto não vale, de acordo com a pesquisa.

Claro que é preciso levar em conta que o estudo foi feito em outro país, e os relacionamentos, por aqui, são bem diferentes. De qualquer forma, ninguém fica amigo com um estalar de dedos, e amizades de verdade fazem um bem enorme para a saúde mental e física. Por isso, se você tem um conhecido na escola ou no trabalho que lhe parece legal, por que não convidá-lo para um almoço?

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Qualidade do sêmen teve queda acentuada nos últimos anos http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/qualidade-do-semen-teve-queda-acentuada-nos-ultimos-anos/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/qualidade-do-semen-teve-queda-acentuada-nos-ultimos-anos/#respond Fri, 06 Apr 2018 21:45:09 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2685

Crédito: Tatiana Shepeleva/Fotolia

Homens podem estar mais propensos a ter problemas de fertilidade, segundo algumas pesquisas recentes baseadas em análises de sêmen, que incluem o Brasil.

Uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) chegou a essa conclusão após analisar amostras de sêmen de 9.495 homens atendidos no hospital da universidade nos últimos 27 anos, com queixas de dificuldade de engravidar suas parceiras. Ao todo, foram analisadas 18.902 amostras.

O trabalho, de autoria da bióloga Anne Ropelle, avaliou três parâmetros que podem ter impacto na fertilidade: a concentração, capacidade de movimentação e forma dos espermatozoides.

O estudo mostrou que a concentração média de espermatozoides dos pacientes caiu de 86 milhões por ml, no período de 1989 a 1995, para 48 milhões, de 2011 a 2016, ou seja, quase a metade. Homens que apresentam valores inferiores a 15 milhões por ml podem ter dificuldade para engravidar suas parceiras.

A motilidade, ou seja, a capacidade de movimentação dos espermatozoides, é considerada normal quando é igual ou maior que 32%. Nos pacientes, a média foi de 47% no primeiro período, mas caiu para 36% entre 2011 e 2016. Por último, a morfologia (forma) das células, que é considerada normal quando igual ou superior a 4%, caiu de 12% para 3,7%.

Os resultados coincidem com um estudo publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, que revisaram pesquisas feitas com amostras sêmen de norte-americanos, europeus, australianos e neozelandeses.  Eles descobriram que a concentração média de espermatozoides desses homens diminuiu mais de 50% em menos de 40 anos. A conclusão foi publicada no periódico científico Human Reproduction Update.

As causas dessas mudanças ainda são alvo de estudos, mas a hipótese mais provável é que o aumento da obesidade seja o principal culpado. É que a concentração de gordura aumenta a concentração de estrogênio, e isso pode interferir na qualidade do sêmen.

Casais com dificuldade para engravidar devem procurar um especialista em reprodução humana e passar por exames para avaliar os possíveis obstáculos. Mas homens que apresentam alterações na qualidade do sêmen devem adotar medidas como controlar o peso, fazer atividade física e evitar o uso de álcool e drogas.

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Nem 10% dos jovens usam camisinha no sexo oral, segundo pesquisa http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/04/nem-10-dos-jovens-usam-camisinha-no-sexo-oral-segundo-pesquisa/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/04/nem-10-dos-jovens-usam-camisinha-no-sexo-oral-segundo-pesquisa/#respond Wed, 04 Apr 2018 22:59:07 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2682

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Falar com os jovens sobre a importância da camisinha é fácil – a maioria sabe que esse é o principal escudo contra as ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e gravidez indesejada. O difícil é convencê-los a usar a proteção, na prática. Quando o assunto é sexo oral, então, o desafio é ainda maior.

Há poucos estudos brasileiros específicos sobre o uso de preservativo nessa modalidade de sexo. Mas uma pesquisa norte-americana, publicada este mês no Journal of Adolescent Health, pode dar uma ideia do cenário: apenas 7,6% das moças e 9,3% dos rapazes de 15 a 24 anos relataram ter usado camisinha na ocasião mais recente em que fizeram sexo oral. O levantamento contou com 3.816 participantes do sexo feminino e 3.520 do sexo masculino.

Para piorar, a tendência é deixar o hábito de lado após a maioridade: considerando-se apenas a faixa de 20 a 24 anos, as proporções encontradas foram de 6,3%,para as mulheres e de 8,8% para os homens. As jovens cujas mães tinham níveis mais altos de escolaridade foram as mais propensas a praticar sexo oral e, por incrível que pareça, as menos propensas a usar proteção. E esse comportamento também foi menos comum entre as meninas que ainda não tinham feito sexo com penetração, segundo os autores, da Universidade de Tampa, na Flórida.

Muitas vezes o sexo oral é visto como uma opção “mais segura” de prazer para as ocasiões em que a camisinha não está disponível ou a dupla ainda não está pronta para perder a virgindade. Mas não é assim. Embora o risco de engravidar com sexo oral seja zero, várias infecções podem ser transmitidas pelo contato da boca com os órgãos sexuais. No caso do HIV, a probabilidade é pequena. Mas outras ISTs – como clamídia, sífilis e gonorreia –podem ser adquiridas dessa forma. Vários estudos têm mostrado que a prática inclusive estaria por trás do aumento nos casos de câncer de boca e garganta, provocados pelo HPV.

O Brasil, assim como vários outros países, tem registrado um aumento galopante nos casos de sífilis: para se ter uma ideia, de 2010 a 2015, o número disparou de 1.249 para 65.878, segundo o Ministério da Saúde. A gonorreia não é de notificação compulsória, por isso não há estatísticas, mas sabemos que essa doença é ainda mais frequente que a sífilis. Ambas podem ser assintomáticas em determinadas fases, o que só colabora para a transmissão. E, para piorar, nem todo mundo que recebe o diagnóstico quer contar para o parceiro, que acaba não sendo tratado.

De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, os jovens brasileiros são a parcela da população que menos se protege com a camisinha. Na faixa etária de 15 a 24 anos, o uso regular caiu tanto nas relações com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6% em 2013 – como com parceiros fixos – de 38,8% para 34,2%.

Se as campanhas do governo e os programas de educação sexual nas escolas não são suficientes para estimular o comportamento, é importante que a informação seja reforçada em casa e desde cedo, antes mesmo que os jovens tenham seus primeiros contatos sexuais.

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Para jovem transgênero, ser chamado pelo nome escolhido faz a diferença http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/02/para-jovem-transgenero-ser-chamado-pelo-nome-escolhido-faz-a-diferenca/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/02/para-jovem-transgenero-ser-chamado-pelo-nome-escolhido-faz-a-diferenca/#respond Mon, 02 Apr 2018 21:07:44 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2675

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Imagine o que é ter sido tratado a vida inteira como uma pessoa diferente da que você é. E agora imagine que, de repente, as pessoas finalmente comecem a te chamar pelo seu nome. É um alívio, não é? Pois é mais ou menos assim que se sente um transgênero, indivíduo que não se identifica com seu sexo biológico. Quase sempre essas pessoas escolhem um nome, ou apelido, diferente do que aparece na certidão de nascimento.

Um estudo com adolescentes transgênero de 15 a 21 anos mostra que quando esse nome é aceito por quem convive com eles, seja em casa, na escola ou no trabalho, a propensão desses jovens à depressão e ao suicídio cai drasticamente.

O trabalho foi realizado por uma equipe da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, e contou com 129 participantes. Apesar de o número parecer pequeno, este é considerado um dos maiores estudos já feitos com jovens transgênero. Estima-se que eles representam cerca de 1% da população.

Os pesquisadores compararam os indivíduos que eram chamados pelo nome que escolheram e os que continuavam a ser tratados pelo nome atribuído após o nascimento. A diferença foi clara: o primeiro grupo relatou 71% menos sintomas de depressão severa, 34% menos pensamentos sobre suicídio e 65% menos tentativas de suicídio.

Os resultados, publicados no Journal of Adolescent Health, ainda mostram que quanto maior o número de contextos em que o jovem é chamado da forma preferida, mais forte era sua saúde mental, mesmo quando outros fatores que aumentariam os riscos foram isolados.

Estudos anteriores conduzidos por essa mesma equipe, liderada pelo pesquisador Stephen Russell, já haviam mostrado que um a cada três jovens transgênero consideram, ou já consideraram, suicídio. Agora está claro que o antídoto para o sofrimento pode ser muito simples. Mas depende dos outros.

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Brigas dos pais podem ter impacto duradouro nas crianças http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/28/brigas-dos-pais-podem-ter-impacto-duradouro-nas-criancas/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/28/brigas-dos-pais-podem-ter-impacto-duradouro-nas-criancas/#respond Wed, 28 Mar 2018 23:28:36 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2672

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Nem sempre dá para evitar um conflito na frente das crianças, mas vale a pena fazer algum esforço. Pais que brigam com frequência podem interferir na maneira como os filhos leem emoções, sugere um estudo realizado pela Universidade de Vermont, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores selecionaram 99 crianças de 9 a 11 anos de idade. Elas foram entrevistadas e divididas em dois grupos: um era formado por crianças que diziam ver os pais brigando com muita frequência, e viam aquilo como ameaça de separação; o outro não presenciava muitos conflitos importantes.

Depois, os participantes foram expostos a uma série de fotos de um casal que interagia com expressões felizes, de raiva ou neutras. Eles tinham que adivinhar o que cada imagem expressava.

Crianças vindas de lares com baixa ocorrência de conflitos acertaram praticamente todas as classificações. Já as que encaravam as brigas dos pais como uma ameaça acertaram as expressões de alegria e de raiva, mas erraram as neutras, ou não sabiam responder.

Para os pesquisadores, há duas interpretações possíveis para os resultados: 1) Os erros seriam resultado da hipervigilância das crianças para qualquer sinal de problema entre um casal. 2) Expressões neutras não chamavam a atenção delas, por isso eles não conseguiram identificá-las no teste. Ambos as opções mostram que os conflitos familiares podem ter impacto na vida dos filhos, já que não saber ler determinadas emoções pode ter consequências nos relacionamentos.

Um detalhe é que as crianças tímidas tenderam a errar mais na classificação das expressões neutras, mesmo as que vinham de lares com baixo nível de conflito. Para os pesquisadores, quem tem filhos com essa característica deve ser ainda mais cuidadoso ao brigar na frente deles.

Claro que evitar discussões e manter a calma nem sempre é possível, e às vezes o divórcio é inevitável. Mas talvez ajude explicar para os filhos que brigar de vez em quando é normal, e que isso não significa que um não se importa com o outro.

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Mais um candidato a Viagra feminino no horizonte http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/26/mais-um-candidato-a-viagra-feminino-no-horizonte/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/26/mais-um-candidato-a-viagra-feminino-no-horizonte/#respond Mon, 26 Mar 2018 23:35:20 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2669

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Mais um medicamento que traz esperança às mulheres que sofrem de problemas sexuais foi submetido à agência regulatória norte-americana, o FDA (Food and Drug Administration), este mês. A substância, chamada bremelanotida, age no sistema nervoso central e parece interferir nos níveis de dopamina, um neurotransmissor importante para a excitação.

O remédio estava sendo testado como pílula de bronzeamento, nos anos de 1980. Não surtiu efeito, mas apresentou um interessante efeito colateral: ereções espontâneas nos homens que a consumiram. Na ausência de qualquer luz no horizonte feminino, a Palatin Technologies decidiu investir na ideia de transformá-lo em um tratamento contra a disfunção sexual feminina.

Nos ensaios clínicos de fase 3, que foram concluídos recentemente, o medicamento apresentou resultados superiores ao placebo em relação a melhora no desejo e diminuição do estresse provocado pela falta de libido durante as relações. Ao todo, 1.200 mulheres participaram dos experimentos, que duraram 24 semanas.

Os principais efeitos colaterais registrados, segundo a farmacêutica, foram náusea, dor de cabeça e vermelhidão no rosto. A droga é injetável, o que não é lá muito convidativo, e deve ser aplicada 45 minutos antes do sexo. Mesmo assim, a empresa diz que 80% das participantes pediram para continuar no período de extensão pelo estudo, por mais 52 semanas.

A promessa de um Viagra feminino ainda parece distante. Em 2015, os EUA aprovaram um outro medicamento, o flibanserin,  que atua nos níveis de serotonina. A droga chegou ao mercado cheio de reticências, e o cenário não mudou muito. Uma reportagem do jornal britânico Daily Mail mostra que apenas 10% das usuárias relataram algum aumento nos níveis de satisfação sexual. Os efeitos colaterais também foram náusea e dor de cabeça.

Um estudo publicado há algum tempo no British Medical Jornal constatou que mais de um terço das mulheres de 16 a 74 anos ficou sem sentir interesse em sexo por pelo menos três meses no ano enterior às entrevistas. O trabalho contou com 5.000 delas. Quem acertar nesse alvo vai ficar milionário, sem dúvida.

Por enquanto, os conselhos são os tradicionais: investir no relacionamento, relaxar mais e dormir melhor, fazer exercícios (sim, eles ajudam muito no prazer!), conhecer o próprio corpo e, no caso de quem chegou à menopausa, discutir opções de tratamentos específicos para sintomas como ressecamento vaginal.

 

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Baixa contagem de esperma pode não ser só ameaça à fertilidade http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/19/baixa-contagem-de-esperma-pode-nao-ser-so-ameaca-a-fertilidade/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/19/baixa-contagem-de-esperma-pode-nao-ser-so-ameaca-a-fertilidade/#respond Mon, 19 Mar 2018 21:08:12 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2663

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Quando um casal tenta engravidar e não consegue, é comum que o homem seja submetido a um espermograma. Em alguns casos, descobre ter uma baixa contagem de espermatozoides no sêmen. Segundo um estudo que acaba de ser divulgado, o resultado pode não apenas estar por trás dos problemas de fertilidade, como também indicar que o paciente tem um risco cardiovascular.

Pesquisadores das universidade de Brescia e Padova, na Itália, avaliaram a saúde e as análises do sêmen de 5.177 homens para chegar à conclusão, apresentada no último domingo (18) na conferência anual da Sociedade de Endocrinologia, em Chicago (EUA).

A equipe, coordenada pelo professor de endocrinologia Alberto Ferlin, encontrou uma forte ligação entre a baixa contagem de espermatozoides (menos de 39 milhões no ejaculado) e alterações metabólicas que podem aumentar o risco de infartos e derrames, além de perda de massa óssea.

Do total de pacientes do estudo, cerca de metade apresentava baixa contagem no sêmen. E esses homens foram quase uma vez e meia mais propensos a apresentar excesso de gordura abdominal, de Índice de Massa Corpórea (IMC), pressão sistólica mais alta, colesterol ruim (LDL) e triglicerídeos elevados, e baixo “bom” colesterol (HDL). Esses pacientes também foram mais propensos a sofrer de síndrome metabólica, que inclui, além dos fatores já mencionados, a resistência à insulina, uma condição que pode levar ao diabetes.

O estudo também encontrou uma associação entre a baixa contagem de esperma e níveis mais baixos de testosterona, condição chamada de hipogonadismo. E metade dos homens com essa queda hormonal apresentava perda de massa óssea ou mesmo osteoporose.

Os resultados sugerem que a qualidade do sêmen pode refletir a saúde masculina como um todo. Assim, além de tratar a questão específica, para aumentar as chances de engravidar a parceira, é importante que os pacientes com contagem baixa de espermatozoides também cuidem de outras questões, como a pressão arterial e o excesso de gordura.

Vale lembrar que, no ano passado, uma revisão de estudos feita pela Universidade Hebraica de Jerusalém constatou que a contagem de esperma têm caído significativamente nas últimas décadas. Entre 1973 e 2011 houve um declínio de mais de 59% nas análises feitas em homens da América do Norte, da Europa e da Oceania. Ainda são necessárias mais pesquisas, mas tudo indica que o vilão da história é mesmo o nosso estilo de vida, marcado pelo sedentarismo e pelo consumo excessivo de açúcar, álcool e gordura.

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