Blog do Doutor Jairo Bouer

Beber pesado de vez em quando pode danificar o fígado em pouco tempo
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Jairo Bouer

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Beber muito apenas três vezes por semana afeta o fígado de uma forma que o consumo moderado diário não é capaz de afetar. É o que mostra um estudo feito com ratos: nesses animais, apenas 21 episódios de bebedeira, nessa frequência, foram suficientes para causar um estágio inicial de doença hepática.

Os pesquisadores, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, derrubaram o mito de que são necessários anos de consumo pesado para desenvolver uma doença no fígado. Eles viram que algumas bebedeiras foram suficientes para causar inflamação (fígado gorduroso) e aumentar os níveis de enzimas metabolizadoras de álcool, cuja atividade pode levar a dano oxidativo e outros tipos de prejuízos ao órgão.

O beber pesado episódico, ou em binge, é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebida em apenas duas horas, para os homens, e de quatro ou mais, para as mulheres. Cada dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho (150 ml) ou um “shot” de destilado (50 ml).

No estudo, publicado no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, os triglicérides no fígado foram quase 50% mais elevados nos animais que ingeriam álcool dessa forma, e, no sangue, 75% mais altos, em relação às cobaias que consumiam a substância de forma moderada todos os dias.

Segundo os autores, o beber em binge causa, nos ratos, níveis de álcool no sangue muito parecidos com o dos humanos. Mesmo assim, são necessários mais estudos para comprovar a hipótese em humanos, bem como para descobrir até que ponto esses danos ao fígado podem ser revertidos.

Segundo o Instituto Nacional para Abuso do Álcool e Alcoolismo, nos Estados Unidos, entidade do governo que financiou a pesquisa, cerca de um em cada 14 adultos tem problemas com a bebida, mas somente um em cada dez busca tratamento.  Para muita gente, “beber todas” antes de sair, nos fins de semana, não é nenhum problema, quando na verdade é.


Mesmo em países igualitários, mulheres curtem menos sexo casual
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Jairo Bouer

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O mundo mudou e, hoje, uma garota pode ficar com um cara só por uma noite sem sofrer preconceito. Os dados variam, mas, em alguns países, sete em cada dez pessoas já fizeram sexo casual.

A forma como homens e mulheres se sentem na manhã seguinte, porém, continua a ser bem diferente, segundo um estudo feito por psicólogos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Vários estudos já mostraram que as mulheres são mais propensas a sentir arrependimento, no dia seguinte, que os homens. Mas a equipe quis saber se a hipótese também seria confirmada na Noruega, um dos países mais famosos por cultivar a igualdade entre os sexos.

Para surpresa dos pesquisadores, o padrão encontrado na Noruega foi semelhante  ao dos Estados Unidos.  Cerca de 35% das mulheres e somente 20% dos homens entrevistados lamentaram a última vez que tinham feito sexo casual. Elas também demonstraram menor satisfação com a experiência.

Apenas 30% das norueguesas disseram ter ficado feliz com o sexo casual mais recente, enquanto metade dos homens afirmou o mesmo.

Quase 80% das mulheres também afirmaram estar contentes por terem dito “não” para uma oportunidade de transar só por uma noite. Entre os homens, a proporção foi de apenas 43%. E mais: quase 30% deles lamentaram não ter feito sexo casual, enquanto poucas mulheres se arrependeram de uma negativa.

Em geral, a mulher se preocupa mais com a questão da gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e mesmo em ter uma reputação ruim. Mas será que isso explica a diferença?

Outra explicação possível é que os homens foram mais propensos a ter orgasmos nessas relações casuais do que as mulheres. Mas elas demonstraram valorizar menos essa questão do que eles, na pesquisa.

Para os autores, a resposta está no fato de que homens e mulheres foram moldados, ao longo da evolução, para priorizar coisas diferentes numa relação. Enquanto eles ficariam mais atentos a oportunidades sexuais para garantir que terão descendentes, elas teriam uma preocupação maior com a qualidade da relação – e o parceiro ideal, para elas, é aquele que está presente e ajuda a criar os seus filhos. Pelo jeito, serão necessárias muitas e muitas gerações para modificar os instintos masculino e feminino. Os dados da pesquisa foram publicados no periódico Evolutionary Psychology.


Xingar é feio, mas é sinal de sinceridade, segundo estudo
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Atire a primeira pedra quem não usa um palavrão de vez em quando para xingar alguém ou alguma coisa. Mas tem gente que exagera. Essas pessoas muitas vezes são consideradas grossas e desagradáveis, mas, segundo um estudo recém-publicado, elas tendem a ser mais sinceras.

Em geral, o xingamento está relacionado a emoções como raiva ou frustração, mas também pode ser uma estratégia para chamar atenção dos outros.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em parceria com estudiosos da Holanda, dos Estados Unidos e de Hong Kong, decidiu testar a hipótese com dois experimentos.

Primeiro, a equipe convidou 276 pessoas para listar as palavras que mais gostavam de usar e explicar o motivo. Em seguida, eles passaram por um detector de mentiras, que indicou quem estava sendo verdadeiro ou apenas tentava ser socialmente aceitável. Aqueles que listaram mais palavrões foram os menos propensos a mentir.

O segundo experimento envolveu a coleta de dados de 75 mil usuários do Facebook. Os pesquisadores concluíram que quem xinga mais também tende a usar mais padrões de linguagem que, segundo estudos anteriores, são mais relacionados a honestidade.

Os resultados, publicados na revista Social Psychological and Personality Science, também sugerem que a tendência a xingar mais ou menos em público tende a variar dependendo da região em que a pessoa vive.

Claro que a reação a esse tipo de vocabulário também vai mudando com o tempo. Os autores lembram que, em 1939, os produtores do filme “E o vento levou” chegaram a ser multados porque o personagem de Clark Gable disse: “Francamente, minha querida, eu não dou a mínima”.

 


Terapia muda o cérebro de pacientes com psicose, mostra estudo
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Pesquisadores descobriram que a terapia cognitivo-comportamental fortalece certas conexões entre os neurônios de pessoas que sofrem de psicose. Essas mudanças no cérebro são duradouras e ajudam os pacientes a superarem o quadro por um longo período.

Sintomas psicóticos, como a sensação de estar sendo perseguido, são frequentes em pacientes que sofrem de esquizofrenia e diversos outros transtornos mentais. Pesquisadores do King`s College e do hospital Maudsley, de Londres, no Reino Unido, avaliaram os efeitos da terapia em 22 pacientes, que tiveram sua atividade cerebral registrada antes e depois de seis meses de trabalho terapêutico.

A terapia cognitivo-comportamental é baseada na fala, e ajuda as pessoas a modificar certas crenças e reações diante de experiências do dia a dia. Também auxilia no desenvolvimento de estratégias para reduzir o estresse e obter mais bem-estar.

A equipe já tinha observado que o tratamento ajuda a fortalecer conexões no cérebro envolvidas no processamento de ameaças sociais. Agora, eles conseguiram comprovar que essas alterações continuam a ter impacto anos depois e levam a uma melhora de longo prazo – os pacientes foram reavaliados oito anos depois de terem feito terapia.

Os resultados, publicados no periódico Translational Psychiatry, mostram que a terapia pode ser uma parte importante do tratamento contra a psicose. Segundo os autores, a maioria dos pacientes com a condição recebe somente medicamentos.

 


20% dos jovens acessam mídias sociais no meio da noite, diz estudo
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Um em cada cinco jovens acorda com frequência no meio da noite para checar ou enviar mensagens pelas mídias sociais, mostra uma pesquisa publicada no periódico Journal of Youth Studies. Essa atividade notura faz com que os adolescentes tenham uma propensão três vezes maior a sentir cansaço na escola, e ainda pode ser um empecilho para o bem-estar.

O levantamento foi feito com mais de 900 alunos de 12 a 15 anos, que foram entrevistados sobre hábitos da internet e sobre a satisfação com diversos aspectos da vida, como estudos, aparência e amizades.

As meninas foram bem mais propensas a acessar mídias sociais durante a noite que os meninos. Os resultados também mostraram que os alunos que relataram estar sempre cansados na escola eram significativamente menos felizes que os jovens mais dispostos.

Para os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Social e Econômica do País de Gales, no Reino Unido, o número é pequeno, mas significativo, e dá uma dimensão de o quanto as mídias sociais podem levar à privação de sono e atrapalhar a vida dos jovens.

 


Exigência diminui com a idade em sites de encontros, diz estudo
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Quem usa a internet para buscar parceiros costuma dar preferência a homens ou mulheres com o mesmo nível de educação. Mas um estudo mostra que essa exigência vai minguando à medida que as pessoas envelhecem.

O título do trabalho, publicado no periódico Personality and Individual Differences, já é bem sugestivo: “As coisas mudam com a idade”.  Ele contou com mais 41 mil australianos de 18 a 80 anos inscritos em um site de encontros– trata-se de uma das maiores análises comportamentais de namoro on-line naquele país.

Os autores, da Universidade de Tecnologia de Queensland, observam que a internet mudou completamente a forma como as pessoas escolhem parceiros, já que oferece um leque maior de opções. Enquanto na vida real é mais comum as pessoas entrarem em contato com gente do mesmo meio, os aplicativos e sites permitem encontrar candidatos de diferentes culturas, níveis de educação e socioeconômico.

O estudo concluiu que usuários mais educados tendem a se preocupar menos em buscar parceiros com o mesmo nível intelectual à medida que envelhecem. A tendência é observada em ambos os sexos, mas principalmente entre mulheres mais velhas, segundo os pesquisadores.

Se essas diferenças podem, ou não, ter impacto nos relacionamentos a longo prazo, isso é algo que, para os autores, merece novos estudos.


Proteína é ligada a depressão na gravidez e bebês com baixo peso
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Estima-se que uma em sete mulheres tenha depressão durante a gravidez e outras tantas sofrem no pós-parto. O problema não só afeta as mães, como também pode interferir no desenvolvimento do bebê. Pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio descobriram que uma proteína chamada BDNF (sigla em inglês para “fator neurotrófico derivado do cérebro”) tem sua quantidade alterada durante a gestação e pode estar por trás desses sintomas.

Para chegar ao resultado, a equipe avaliou 139 grávidas. Eles perceberam que a proteína diminui bastante do primeiro ao terceiro trimestre, voltando ao aumentar após o parto. O grupo descobriu, ainda, que o BDNF varia bastante de acordo com a origem étnica da mulher, sendo que o nível tende a ser mais alto nas grávidas negras.

Níveis mais baixos da proteína no segundo e terceiro trimestres foram associados a sintomas depressivos nos três últimos meses de gestação. Além disso, mulheres com a redução tiveram tendência maior a ter filhos com baixo peso ao nascer.

Os pesquisadores explicam que antidepressivos ajudam a aumentar os níveis da proteína, mas seu uso não está totalmente livre de riscos ao feto e possíveis efeitos colaterais. As informações foram publicadas no periódico científico Psychoneuroendocrinology.

Outra forma de aumentar os níveis de BDNF, segundo os autores, é praticar atividade física. Por isso, é recomendável que as gestantes não deixem de se movimentar, desde que não haja qualquer contraindicação para isso, é claro. Os exercícios podem melhorar o humor da mulher, evitar ganho de peso e pressão alta, e até beneficiar o desenvolvimento do bebê.


O que está por trás das suas selfies?
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Para muita gente, inclusive alguns estudiosos, tirar selfies o tempo todo é sinal de narcisismo. Mas uma pesquisa mostra que nem todos os adeptos dessa mania têm obsessão pela própria imagem. As motivações por trás das fotos podem ser bem diversas.

Após analisar uma extensa amostra de perfis de redes sociais, uma equipe da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, chegou à conclusão de que existem basicamente três categorias de “tiradores de selfies”:

O primeiro grupo é o dos comunicadores. Eles tirariam as fotos para interagir com os amigos e parentes, ou para iniciar uma conversa. Diferente dos narcisistas, a ferramenta, para eles, é uma via de mão dupla, e não apenas uma oportunidade para se exibir.

A segunda parcela, segundo os pesquisadores, é a dos autobiógrafos, que têm como objetivo preservar memórias que foram importantes para eles. Eles não estariam tão preocupados com a reação dos outros em relação às postagens, apesar de gostarem de curtidas, é claro.

O último grupo, e o menor deles, de acordo com o estudo, é o dos que buscam autopromoção – pessoas que tentam documentar tudo o que fazem para se mostrar de uma forma positiva para o mundo. Nessa categoria estariam personalidades como Taylor Swift, Katy Perry e os Kardashians.

Em artigo publicado no periódico Visual Communication Quarterly, os autores observam que entender a motivação por trás das selfies é valioso, já que a boa parte da história da sociedade atual vai ser contada dessa forma.


Quando os pais são sedentários, os filhos também são
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Crianças pequenas seguem os passos dos pais literalmente. É o que mostra um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, para verificar o nível de atividade física de crianças em idade pré-escolar.

Os pesquisadores do Instituto de Coração, Pulmão e Sangue avaliaram dados de mais de 1.000 crianças e seus respectivos pais. A maioria das famílias era de baixa renda, sendo 70% latinos e 10% afro-americanos. Cada par (pai e filho) utilizou um dispositivo para medir o nível de atividade física por uma média de 12 horas ao dia, ao longo de uma semana.

Os resultados mostram que quando os pais praticavam mais de 40 minutos de atividade moderada ou vigorosa por dia, os filhos também faziam o mesmo. E quando os pais eram sedentários, as crianças também eram. Os dados foram publicados no American Journal of Preventive Medicine.

A recomendação é que crianças de 2 a 5 anos pratiquem no mínimo uma hora por dia de atividade física moderada ou vigorosa. Assim, se você tem filhos pequenos, tem um motivo a mais para fazer exercícios.


Estresse na adolescência dificulta vida sexual, sugere estudo com ratos
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Será que cidades violentas podem interferir na capacidade reprodutiva de seus habitantes?  E será que um jovem que foi hostilizado pelos colegas na escola pode ser menos bem-sucedido na hora de buscar parceiras sexuais? Um grupo de pesquisadores descobriu que isso acontece, de uma certa forma, para os ratos – a preferência sexual das fêmeas é influenciada pelo histórico de estresse e pelo status social dos machos.

A equipe conta com psicólogos das universidades Binghamton e do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, e da Universidade Brock, em Ontario, no Canadá. Eles dizem que ratos submetidos a estresse durante a adolescência exercem menor poder de atração nas fêmeas jovens, especialmente se assumirem uma posição de submissão em relação ao grupo depois do ocorrido.

Os pesquisadores chegaram às conclusões após uma série de experimentos com diferentes ratos agrupados, sendo que alguns dos machos tinham sido submetidos ao estresse quando jovens e tornaram-se mais submissos depois do ocorrido, ou reagiram melhor e assumiram uma postura dominante.

Segundo a equipe, as fêmeas são capazes de identificar os animais que passaram por estresse na adolescência, e escolhem aqueles que reagem melhor. Em outras palavras: o status dominante funciona como fator de proteção para animais que passaram por situações de tensão extrema. Isso já tinha sido comprovado em macacos, afirmam os autores em artigo publicado no periódico científico Hormones and Behavior.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho pode ajudar a compreender melhor os efeitos do estresse ambiental sobre a reprodução humana, e talvez até explicar alguns casos de infertilidade. O grupo, liderado por Nicole Cameron, agora pretende estudar a capacidade reprodutiva de animais que receberam pouco cuidado materno, bem como sua capacidade de aprendizado e memória.